Skip to main content

Instituto Jacob Cristopher

Educação, Diversidade e Inclusão Social

O Instituto Jacob Cristopher nasce como um espaço de formação, acolhimento e consultoria dedicado à promoção da Equidade Social, atuando especialmente nas áreas de Educação Inclusiva, Gênero e Sexualidade, Intersexualidade, Direitos Humanos e Atendimento a Pessoas com Deficiência (PCD).

Oferecemos consultorias para instituições públicas, privadas e do terceiro setor que buscam desenvolver programas de Diversidade, Inclusão e Responsabilidade Social, além de cursos, palestras, formações, atendimento clínico e produção de materiais educativos.
O Instituto é fruto de uma homenagem a Jacob Cristopher (in memoriam) — bebê intersexo cuja história transformou profundamente a luta por direitos no Brasil. Jacob se tornou um símbolo nacional da resistência intersexo ao enfrentar, junto de sua mãe, a ausência de políticas públicas, a violência institucional e o apagamento histórico. Sua trajetória gerou debates no Conselho Nacional de Justiça e influenciou mudanças essenciais na garantia de direitos.

Hoje, Jacob é lembrado como um anjo que continua cuidando de todos nós. Sua memória permanece presente em cada conquista, em cada formação e em cada família intersexo atendida.

Por isso, se você é pessoa física, instituição, organização ou marca que deseja apoiar Educação, Diversidade e Inclusão Social, encontrou a parceria ideal para começar essa jornada.

QUEM FOI JACOB CRISTOPHER?

Um bebê que mudou a legislação e a história da pauta intersexo no Brasil e no mundo.

Jacob Cristopher nasceu dia 26 de setembro de 2016 e, desde o nascimento, enfrentou a invisibilidade do Estado brasileiro diante da intersexualidade (disgnesia gonadal pura e síndrome de Noonan). Por não ter testículos, Jacob não teve acesso ao Documento de Nascido Vivo (DNV) e, consequentemente, não pôde receber sua certidão de nascimento, deixando sua mãe, Profª Dra. Thaís Emília, sem acesso à licença-maternidade, ao auxílio-maternidade, Jacob sem cartão SUS, sem registro civil e a direitos sociais básicos ( sem nome e cpf). Além de ser proposto uma cirurgia plástica de retirada do Pênis transformando em vulva (o qual os pais de Jacob não aceitaram e questionaram os médicos).

A história de Jacob evidenciou a ausência completa de protocolos éticos de cuidado, denunciou violências institucionais e expôs a urgência de políticas públicas específicas para pessoas intersexo. Apontadas toda essas ausência de políticas públicas para mães de intersexo e bebês intersexo por sua mãe profa Dra Thais Emilia, na promotoria da infância em 2016.

A luta de sua mãe, articulada com pesquisadores, organizações e órgãos públicos, impulsionou debates nacionais e internacionais que culminaram na mudança histórica do sistema de registro civil brasileiro.

Jacob vive hoje como símbolo de resistência, memória e transformação. Seu nome atravessa legislações, formações, projetos de lei e toda construção política da pauta intersexo contemporânea.

Provimento CNJ nº 122/2021 – Garantia de Direitos para Bebês Intersexo e Suas Mães

A luta iniciada pela mãe de Jacob contribuiu para a publicação do Provimento nº 122/2021 do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), que transformou legalmente o atendimento e o reconhecimento civil de pessoas intersexo no Brasil.

O Provimento:

  • autorizou a emissão de certidão de nascimento para bebês intersexo sem mutilações e sem definição compulsória de sexo;
  • afastou a exigência de cirurgias genitalizantes;
  • proibiu condicionamentos médicos e patologizantes para o registro civil;
  • garantiu o direito ao nome, à filiação e à cidadania desde o nascimento.

Direitos das mães assegurados pelo Provimento

Além de proteger as crianças, o Provimento também reconheceu e fortaleceu os direitos das mães, garantindo:

  • acesso ao auxílio-maternidade e à licença-maternidade;
  • possibilidade imediata de incluir o bebê no Cartão SUS e no plano de saúde;
  • acesso a benefícios sociais e previdenciários antes negados;
  • reconhecimento civil da maternidade na certidão de nascimento;
  • proteção contra violências institucionais e médicas;
  • autonomia para recusar cirurgias mutilatórias e decidir pelo melhor interesse da criança.

O Provimento rompe séculos de apagamento materno-infantil e reconhece as mães como agentes fundamentais na defesa do direito à autonomia corporal de seus filhos.

26 de Setembro – Dia da Conscientização contra a Mutilação Genital Infantil

O dia 26 de setembro marca internacionalmente a luta contra a mutilação genital infantil, denunciando práticas históricas de intervenções cirúrgicas não consentidas, feitas em bebês e crianças intersexo sob discursos de “normalização”.

Essa data:

  • fortalece a luta pelo fim das cirurgias genitalizantes sem urgência vital;
  • dá visibilidade às violências hospitalares e jurídicas;
  • reforça o direito à autonomia corporal;
  • orienta práticas éticas, cuidadosas e não mutilatórias;
  • incentiva políticas públicas de acolhimento e formação profissional.

A Lei Municipal proposta por Thaís Emília a Carolina Iara

Em São Paulo, a data foi reconhecida através de um Projeto de Lei apresentado por:

  • Profª Dra. Thaís Emília de Campos dos Santos, mãe de Jacob;
  • Carolina Iara, mulher intersexo e então co-vereadora.

A lei municipal coloca São Paulo como referência legislativa no combate às mutilações infantis e na defesa das pessoas intersexo. Também já é lei em diversas cidades do Brasil e protocolada em estância federal.

Estatuto Federal da Pessoa Intersexo – Lei Jacob Cristopher

Uma construção iniciada em 2017 e protocolada nacionalmente em 2025

O Estatuto Federal da Pessoa Intersexo tem origem na resistência e no protagonismo de Thaís Emília e de seu filho Jacob.

 

 2017 – A origem do Estatuto

Na Conferência Internacional da Mulher em 2017, Thaís, com Jacob bebê em seus braços, apresenta pela primeira vez a proposta do Estatuto Federal da Pessoa Intersexo a um Procurador da República (momento gravado em documentário disponibilizado no You Tube)

Este ato marca o início formal da luta por uma legislação nacional que:

  • garanta direitos civis,
  • proíba mutilações,
  • regulamente o atendimento em saúde,
  • estabeleça políticas de educação e assistência social,
    reconheça a pessoa intersexo como sujeito de direito.

 

 2017–2025 – Um Estatuto construído coletivamente

Durante oito anos, o Estatuto foi aprofundado com escuta ativa, diálogo técnico e participação de diversas organizações intersexo do país, incluindo:

  • ABRAI – Associação Brasileira Intersexo (coordenação nacional de Dionne Freitas);
  • GADE;
  • 47XXY;
  • Klinefelter Brasil;
  • Associação de Insensibilidade Androgênica (AIA);
  • pessoas intersexo adultas, mães, pesquisadores e especialistas das áreas de saúde, direito, educação e políticas públicas.

A proposta tornou-se um documento robusto, interdisciplinar e representativo da pluralidade da população intersexo brasileira.

 

2025 – Protocolo oficial

Em 2025, após anos de articulação política, Thaís solicita à deputada Duda o protocolo oficial do texto final do Estatuto Federal da Pessoa Intersexo – Lei Jacob Cristopher, consolidando:

  • diretrizes de saúde ética e não mutilatória;
  • políticas de inclusão educacional;
  • proteção social às famílias;
  • garantia de direitos civis e identitários;
  • responsabilização institucional;
  • reconhecimento da intersexualidade como pauta de Estado.

Este Estatuto é o primeiro documento legislativo brasileiro a reunir, de forma integrada, políticas públicas específicas para pessoas intersexo.

Resolução do Conselho Federal de Psicologia sobre Intersexualidade

A Resolução do Conselho Federal de Psicologia (CFP) sobre Intersexualidade representa um avanço histórico na proteção de crianças, adolescentes e adultos intersexo, estabelecendo diretrizes éticas para práticas psicológicas que respeitem a autonomia corporal, a diversidade humana e os direitos fundamentais.

A normativa reconhece a intersexualidade como variação corporal, repudia abordagens patologizantes e orienta que a Psicologia atue oferecendo escuta qualificada, acolhimento e suporte às famílias, sem reforçar coerções ou pressões por intervenções cirúrgicas não consentidas.

Proposição feita por Thaís Emília à Presidência do CFP

A criação dessa resolução foi impulsionada por uma proposta formal apresentada pela  presidente do CFP, Dra. Talita Carvalho a partir de denúncias de Thaís relatando ao Conselho as violências institucionais vividas por mães e crianças intersexo e a urgência de regulamentar práticas éticas no campo psicológico. A presidência do CFP acolheu a demanda, reconhecendo sua relevância e legitimidade.

Essa interlocução direta contribuiu significativamente para que o CFP produzisse uma normativa que hoje orienta profissionais de todo o país e protege famílias de violações históricas.

O Instituto Jacob Cristopher nasce desse legado

A cada curso, formação, publicação, acolhimento e ação pública, o Instituto reafirma:

  • a memória de Jacob;
  • a força de sua história;
  • a luta das mães;
  • a dignidade das pessoas intersexo;
  • a construção coletiva de direitos;
  • o compromisso ético com inclusão e justiça social.

O Instituto existe para transformar vidas — e para que nenhuma criança, mãe ou família passe pelas violências que marcaram a trajetória de Jacob.

CONTEÚDOS E INFORMAÇÕES

31/03/2025 em Notícias

Projeto de Lei apresentado pela deputada Duda Salabert a pedido da Doutora Thais Emilia, fundadora e presidente da ABRAI, institui o Estatuto da Pessoa Intersexo (Lei Jacob Cristopher)

Brasil pode ter a legislação mais avançada do mundo para proteção de pessoas intersexo Projeto de Lei apresentado pela deputada Duda Salabert a pedido da Doutora Thais Emilia, fundadora e…
Leia mais
15/09/2024 em Notícias

Encaminhamentos Psicopedagógicos e Escolares

Nos últimos anos, o sistema educacional tem privilegiado abordagens que diagnosticam alunos com dificuldades de aprendizagem ou comportamento, comumente rotulados como "queixas escolares". Essa tendência, no entanto, muitas vezes leva…
Leia mais
11/09/2024 em Notícias

Alternativas Terapêuticas e Educacionais para Crianças com Transtorno do Espectro Autista: muito além do ABA

Por Thais Emilia de Campos dos Santos( Psicopedagoga e Psicanalista, Doutora em Psicologia da Educação e mãe de criança autista) Nos últimos anos, o Transtorno do Espectro Autista (TEA) tem…
Leia mais