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UNESP lança guia sobre intersexualidade e fortalece práticas inclusivas no ensino superior

Profa Dra Thais Emilia de Campos dos Santos

A Universidade Estadual Paulista (UNESP), por meio do PROADE (Pró-Reitoria de Ações Afirmativas, Diversidade e Equidade), lançou o Guia de Orientações sobre Intersexualidade, um material educativo que representa um avanço significativo no reconhecimento, na visibilidade e na garantia de direitos das pessoas intersexo no ambiente acadêmico.

O material pode ser acessado gratuitamente:
https://www2.unesp.br/Home/proade/guiaorientacoessobreintersexualidade-v31.pdf

Outros guias formativos da universidade estão disponíveis em:
https://www2.unesp.br/portal#!/proade/formacao/guias/

Um marco na formação acadêmica e institucional

A publicação do guia insere-se em um movimento mais amplo de transformação das universidades brasileiras, que vêm sendo convocadas a rever práticas historicamente excludentes. Nesse contexto, a intersexualidade — por muito tempo invisibilizada ou reduzida a uma abordagem biomédica — passa a ser compreendida a partir de uma perspectiva ética, social e educacional.

O documento oferece subsídios teóricos e práticos para docentes, gestores e comunidade universitária, contribuindo para: a promoção de uma educação comprometida com os direitos humanos; a compreensão da intersexualidade como variação natural das características sexuais humanas; o enfrentamento de práticas discriminatórias; e a construção de ambientes acadêmicos mais acolhedores.

A relevância do guia ultrapassa os limites da universidade. Ao institucionalizar orientações sobre intersexualidade, a UNESP fortalece ações voltadas à promoção dos direitos das pessoas intersexo na formação de profissionais mais preparados para lidar com a diversidade corporal e na promoção de políticas educacionais inclusivas.

Uma construção que parte da experiência e da luta

A proposta de elaboração do guia foi apresentada pela Profa. Dra. Thais Emília de Campos dos Santos, que, na época era professora substituta na Unesp, sendo também mulher intersexo e mãe de pessoa intersexo. Sua trajetória articula produção acadêmica, atuação institucional e engajamento político na defesa dos direitos das pessoas intersexo no Brasil e no Mundo.

A iniciativa foi acolhida pelo PROADE da UNESP (@proade_unesp), evidenciando a importância da escuta de sujeitos diretamente implicados na temática para a construção de políticas públicas e materiais formativos mais sensíveis, éticos e comprometidos com a realidade vivida.

Destaca-se também o acolhimento da demanda pelos professores Profa. Dra Ana Klein, Prof. Dr Leonardo Lemos e Profa Dra Larissa Pelucio, cuja atuação foi fundamental para a consolidação do documento.


Ao produzir e difundir conhecimento sobre intersexualidade, a UNESP reafirma seu compromisso com uma educação pública, crítica e socialmente referenciada. O guia não apenas informa, mas também convoca à transformação de práticas pedagógicas, institucionais e sociais.

Trata-se de um instrumento pedagógico que contribui para: a construção de uma cultura acadêmica baseada no respeito à diversidade; a formação crítica de estudantes; e o fortalecimento de políticas inclusivas.

O Guia de Orientações sobre Intersexualidade da UNESP representa um passo importante na consolidação de uma educação inclusiva. Ele se configura como um instrumento político-pedagógico que reafirma o direito à existência, à autonomia e à dignidade das pessoas intersexo.

Sua elaboração, ancorada tanto na produção acadêmica quanto na experiência vivida, demonstra que a transformação institucional passa, necessariamente, pela escuta, pelo reconhecimento e pela valorização das diferenças.

Por fim, é fundamental destacar que este guia foi construído a partir da articulação entre pessoas intersexo e pesquisadoras(es) da UNESP, evidenciando que a produção de conhecimento e de políticas institucionais só se torna efetivamente ética e transformadora quando incorpora a escuta de quem vive a realidade em questão.

Trata-se da materialização do princípio “nada de nós sem nós”, no qual sujeitos historicamente silenciados deixam de ser apenas objetos de estudo para se constituírem como protagonistas na elaboração de saberes, diretrizes e práticas que impactam diretamente suas vidas. Esse processo reafirma que a inclusão não se faz apenas por representação, mas pela participação ativa, pelo reconhecimento e pela legitimidade das vozes intersexo na construção de uma universidade verdadeiramente democrática.

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